Trata-se de um processo original, pois em vez de comprimir o sinal de áudio, este é analisado e modelizado no computador, de modo a poder ser reproduzido.
No caso de um solo de clarinete, é necessário não só modelizar o instrumento, como também a técnica utilizada pelo músico para obter o som.
“Um ser humano controla a sua língua, o seu diafragma e os seus dedos de determinada maneira, que nós modelizamos para poder depois reproduzir. Não é o resultado que nós reconstruímos, mas sim as causas. É aqui que nós inovamos no modo de reduzir a quantidade de informação necessária para codificar um sinal musical.” Disse Marl Bocko, professor na Universidade de Rochester, onde dirige os trabalhos de uma equipa pluridisciplinar.
O computador é, deste modo, utilizado literalmente para reproduzir um clarinete, sendo depois excitado com todas as informações dadas pelo instrumentista. Os investigadores analisaram todas as características do instrumento, necessárias para produzir um timbre característico, como por exemplo, a pressão atmosférica no tubo, em função das posições dos dedos, ou a propagação das ondas sonoras ao longo do tubo.
Depois de modelizado o instrumento, obtendo-se então um instrumento virtual, resta agora modelizar o instrumentista (como por exemplo, a pressão exercida pelos lábios na boquilha).
“Ainda vamos ter algum trabalho em modelizar a língua do instrumentista, para conseguir reproduzir o efeito staccato” disse o Professor Bocko, “ mas o legato já está muito bom”. É preciso um ouvido muito treinado, para conseguir distinguir o instrumento original do virtual. Melhorando a modelização, consegue-se que o computador reproduza melhor as pequenas nuances musicais, tornando o resultado final ainda mais realista.
Apesar da complexidade do aparelho da fala do ser humano, os investigadores dizem que um dia este método talvez permita que um computador reproduza a fala humana com o mesmo grau de realismo.